Vou pra cama de madrugada, sinto aquela urgência de escrever. Tem uma caneta em cima, e alguns cadernos pelo chão cheios de devaneios. Sinto aquela urgência de compôr uma música, escrever uma letra, ou só traçar um traço, curvar uma curva e juntá-los. Mas me perco no bloqueio, não há mais nada a dizer; vou gastar uma folha, vou odiar o que fiz. Me perco na hora, pois já é muito tarde e eu tenho que dormir.
Vou pra cama de madrugada e penso em tudo que fiz e o que vou fazer no dia seguinte, penso com quem vou estar, imagino que sexo vou fazer. Vou pra cama de madrugada e reflito sobre com quem estive, quem fez parte de mim, e que agora não faz mais. De madrugada, choro por todas as minhas crises emocionais, por tudo que aconteceu que eu não queria que tivesse acontecido. De madrugada a cabeça funciona, pois tudo é culpa do silêncio de fora que sobressai o barulho de dentro.
O emocional é um complexo de prisões. Prisões familiares, aconchegantes, sufocantes, doloridas, insuportáveis. Um terreno aberto por onde você anda de olhos vendados, só para poder teimar que é fechado. Um terreno em que a entrada é um quarteirão, e a saída uma porta.
E nesse meio, nesse terreno cheio, somente você, que á você, encontrará.
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