quarta-feira, 23 de julho de 2014

Incondicionalmente

Não, na verdade, você nunca me disse isso. Não essa exata palavra. Eu apenas supus. Você me disse "Eu te amo", e o amor, a gente imagina, é incondicional.
Eu nunca duvidei disso, nem por um instante duvidei do seu amor. Levo até hoje seu "eu te amo", mesmo não sabendo se ainda continua sendo verdade, e respondo secretamente um "eu também", mesmo não sabendo se você também leva até hoje o meu.
Por incrível que pareça, levo até hoje seu cheiro em mim, entranhado. Achei que sabia o que era tudo isso, achei que sabia o que era a paixão, o amor, achei que sabia o que era quando ele acabava, mas isso foi você que me ensinou. Tantos sentimentos, tantos choros, tantos desesperos e tanta felicidade, tudo junto. Vermelho (RED).
Nosso incondicional se formou aos poucos, ou talvez de uma vez só. De alguma forma, as coisas foram muito rápidas. Enquanto uns demoram pra começar, pareceu um passe de mágica pra nós, só levou uma semana de "a gente não se desgrudando um do outro" pra tudo acontecer, tudo se juntar. Demoramos pra terminar, acho que fomos nos desmontando aos poucos, até que minha condição, principalmente emocional, terminou o trabalho. Mas isso foi a condição final. Nosso incondicional se formava, enquanto a gente se desmontava e se montava de novo. Nosso incondicional foi mais forte que se pensava, pois caracterizar como "conturbado" ainda é ser suave.
Hoje, quase 8 meses depois, ainda escrevo de nós. Ainda lembro com um sorriso choroso. Ainda quero conservar nossa lembrança acesa. Hoje, quase 8 meses depois, já não me arrependo mais, já não carrego a mesma culpa que atribuía a mim. Hoje já sigo em frente, já gosto de outro, já levo minha vida, só não posso dizer que já não tenho meus momentos de tristeza por você.
Minha condição melhorou, eu sinto. Você poderia estar aqui pra ver.
Mas, incondicionalmente, "a gente" acabou.


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